Universidade sedia 4º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo

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A Universidade Anhembi Morumbi sediou, entre os dias 9 e 11 de julho, o 4º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, promovido pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI). Com uma programação diversificada, o evento foi realizado no Auditório Theatro Casa do Ator, no campus Vila Olímpia, e recebeu cerca de 70 palestrantes de diversas partes do mundo, além da presença de jornalistas e alunos de Jornalismo de todo o Brasil.

 O auditório do campus Vila Olímpia ficou repleto de profissionais e estudantes de Jornalismo
O auditório do campus Vila Olímpia ficou repleto de profissionais e estudantes de Jornalismo

Segundo o prof. Nivaldo Ferraz, coordenador do curso de Jornalismo da Universidade, a ABRAJI realizou visitas técnicas em oito universidades de São Paulo depois de decidido que o Congresso aconteceria na cidade. “A Anhembi Morumbi foi escolhida pela infraestrutura interna, tanto física quanto de equipamentos disponíveis, e a localização estratégica. Para os alunos, essa é uma ótima oportunidade de assistir a palestras com profissionais renomados, além de estabelecer networking dentro do próprio campus”.

 Os jornalistas Mark Horvit, do IRE (Investigative Reporters and Editors), e Joe Bergantino, do Centro de Jornalismo Investigativo de New England/EUA também marcaram presença no Congresso
Os jornalistas Mark Horvit, do IRE (Investigative Reporters and Editors), e Joe Bergantino, do Centro de Jornalismo Investigativo de New England/EUA também marcaram presença no Congresso

Ele destacou ainda que alunos e professores da Anhembi Morumbi foram contemplados com bolsas para participar de um curso realizado pela ABRAJI no dia 09, abordando as boas práticas do jornalismo investigativo em diversos meios como internet, televisão e impresso.

Para Andréia de Oliveira de Souza Previtali, aluna do 6º semestre de Jornalismo, participar de um evento como esse é muito importante para a sua formação acadêmica. “Achei bastante interessante ter contato com esses vários profissionais dentro da Universidade, além do preço do evento também ter sido bastante acessível”.

 A noite do dia 10 foi marcada pelo "Panorama do jornalismo investigativo no mundo", no qual jornalistas de seis países realizaram uma mesa de debates
A noite do dia 10 foi marcada pelo “Panorama do jornalismo investigativo no mundo”, no qual jornalistas de seis países realizaram uma mesa de debates

Já Nádia Mariano Assis Pinto, estudante do 8º semestre de Jornalismo que participou de um congresso pela primeira vez, gostou das palestras apresentadas e da comodidade de o evento ser realizado dentro da Universidade. “A editora na qual trabalho pagou para que eu e mais alguns jornalistas participássemos do Congresso. Essa foi uma excelente oportunidade para agregar conhecimentos e aplicá-los em minha profissão. Aqui, estabeleci contatos com diversos profissionais e foi bastante enriquecedora essa experiência”, disse.

Ministro Carlos Minc
Dentre os destaques da programação, participou o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc (PT), que proferiu uma palestra sobre o papel da mídia em relação à cobertura e apuração jornalística sobre assuntos que tangem ao meio ambiente. “Por não ser jornalista, seria muita pretensão minha falar sobre a área de forma técnica. Mas sou um contador de causos e, por isso, vou contar algumas histórias que aconteceram para deixar dicas de como as informações poderiam ser melhores investigadas antes de serem publicadas”.

 O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, falou sobre a cobertura jornalística acerca dos assuntos ambientais
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, falou sobre a cobertura jornalística acerca dos assuntos ambientais

Para exemplificar, o ministro recordou uma matéria divulgada na capa de um veículo de comunicação com repercussão nacional em que o seu nome foi envolvido. Tratava-se de uma matéria sobre a Operação Boi Pirata, destinada a apreender a criação de gado em áreas de preservação ambiental. Minc afirmou que foi dada a informação de que um frigorífico tinha arrematado os gados apreendidos em um leilão, quando na verdade tinha sido outro frigorífico. “Essa era uma informação fácil de ser apurada. Em pouco tempo, eu mesmo investiguei e levantei a informação verdadeira. Reportei o veículo quanto ao erro, mas nada foi publicado, talvez por não terem um ombudsman”, disse.

 O ministro Carlos Minc respondeu às perguntas dos presentes mediadas pelo jornalista da ABRAJI, Fernando Rodrigues
O ministro Carlos Minc respondeu às perguntas dos presentes mediadas pelo jornalista da ABRAJI, Fernando Rodrigues

Ele mencionou ainda, o relativo descaso dos veículos de comunicação sobre assuntos ambientais. “Há pouco tempo, reuni vários ambientalistas para falar sobre as ações que estão sendo feitas a fim de não permitir a construção da estrada 319, no Amazonas. Pedi que a mídia fosse acionada e divulgasse as ações, mas não foi feita nenhuma publicação. O assunto dessa estrada é muito importante e trata-se de uma verdadeira guerra do governo por questões ambientais, visto que ela passaria pela área mais preservada da Amazônia”, destacou.

Crime organizado x jornalismo
Abordando os riscos que os jornalistas correm ao realizar coberturas e investigações sobre o crime organizado, as jornalistas María Teresa Ronderos, do jornal colombiano Semana, e Ana Arana, do Knight International Journalism Fellowship, no México, relataram casos vividos por elas e colegas de trabalho que atuam no segmento.

 A jornalista María Teresa Ronderos abordou os riscos da cobertura jornalística de crimes organizados na Colômbia
A jornalista María Teresa Ronderos abordou os riscos da cobertura jornalística de crimes organizados na Colômbia

Considerando as características peculiares a cada localidade, elas ressaltaram cuidados e considerações que podem ser aplicados por jornalistas que queiram atuar na área, independentemente do local. “Uma falha muito grave é não compreender o que é o crime organizado em sua real proporção. Vários jornalistas já se prejudicaram por adentrar no assunto, sem ter o conhecimento necessário acerca dele. Outro cuidado é não mentir ou se passar por aliado dos criminosos. Quando vamos fazer uma matéria, é preciso deixá-lo ciente de que iremos publicar o que for falado, mas sempre o respeitando, assim como devemos fazer com todos os entrevistados”, ressaltou María.