Saúde em Foco – A importância da imunização para prevenção de doenças

11h06

A preocupação com a saúde vem aumentando com o passar dos anos e hábitos prejudiciais ao bem-estar têm dado lugar a atitudes benéficas ao nosso corpo. Um movimento que tem como foco principal a saúde integral do indivíduo, tanto física quanto mental. Para que nossa comunidade acadêmica faça parte deste movimento, traremos quinzenalmente conteúdos que favoreçam a cultura de hábitos saudáveis e prevenção de doenças, sendo abordados por nossos especialistas em Saúde.

O tema desta semana é sobre vacinação. Um alerta para muitas pessoas, principalmente em um período de surto de Sarampo, em que os casos triplicaram somente no primeiro semestre deste ano, segundo o Ministério da Saúde, e a vacina é a principal prevenção.

No caso de doenças infectocontagiosas, a vacinação é o meio mais eficaz e seguro para prevenção e combate. O calendário nacional de vacinação atende crianças, adultos e idosos e, no total, são disponibilizados pelo poder público 19 vacinas para mais de 20 doenças, cuja proteção inicia ainda nos recém-nascidos e se estende por toda a vida.

Estar em dia com as imunizações não apenas protege aqueles que recebem a vacina, mas também a sociedade ao redor.  Quanto maior for o número de pessoas imunizadas em uma comunidade, menor é a chance de qualquer uma delas (que tenham ou não sido vacinadas) ficarem doentes.

A propagação de notícias falsas sobre o tema pode contribuir para a decisão errônea de não se vacinar. Isso gera um grande problema: a baixa cobertura vacinal. Com isso, o que ocorre por muitas vezes é a reintrodução de doenças que no passado já haviam sido erradicadas, como é o caso do Sarampo.

Para entender mais sobre a importância da vacinação sempre em dia e esclarecer algumas dúvidas, confira a entrevista com a Profa. Cassia Amaral, do nosso curso de Medicina:

O que são vacinas e como elas agem em nosso organismo?
Uma vacina é uma preparação biológica, que fornece imunidade adquirida ativa para uma doença particular. Elas agem estimulando o sistema imunológico a produzir anticorpos, que podem combater doenças infecciosas, tornando o indivíduo imune a elas.

Quais as diferenças entre vírus ativo e inativo para a vacinação?
As vacinas com vírus ativos são feitas de vírus vivos, que passaram por procedimentos que os enfraqueceram e possuem maior risco de causar efeitos adversos. As inativadas são aquelas feitas com microrganismos mortos ou apenas partes do microrganismo. Elas são as mais seguras, porém costumam apresentar uma capacidade de imunização mais baixa, sendo necessárias mais de uma dose para criar uma proteção prolongada.

Existem doenças que estão praticamente erradicadas. Então, por que é necessário vacinar?
Varíola e poliomielite (paralisia infantil) são exemplos de doenças erradicadas no Brasil. Ainda que a vacinação tenha reduzido a incidência de doenças evitáveis em vários países, isso não significa, de uma perspectiva global, que elas estejam sob controle. Algumas delas são mais prevalentes em determinados lugares e até nativas em certas partes do mundo, mas podem viajar com facilidade, graças à globalização. Caso não aconteça a cobertura vacinal adequada, a doença pode atingir novamente a população, como é o caso recente do Sarampo. Ou seja, se as pessoas optarem por não se vacinar, pode ocorrer uma epidemia e até mesmo doenças erradicadas podem reaparecer, pois os microrganismos estão presentes no meio ambiente.

Algumas doenças só acontecem uma vez. As vacinas têm proteção semelhante?
Nem toda doença gera proteção para sempre. O mesmo ocorre com as vacinas. Algumas geram proteção para um período bastante longo da vida, como as vacinas contra hepatite A, sarampo e caxumba, por exemplo. Outras necessitam de doses periódicas de reforço – como a difteria, o tétano e a coqueluche.

Vacinas causam autismo ou outros problemas de saúde a longo prazo?

Não há estudos que comprovem esta correlação com transtornos do espectro autista (TEA). Foi por meio da vacina que a varíola foi erradicada, por exemplo, e outras diversas doenças foram controladas. Isso comprova a eficácia em promover proteção com segurança. Eventuais reações temporárias, como febre e dor local, podem ocorrer após a aplicação de uma vacina, mas os benefícios da imunização são muito maiores que os riscos. É importante saber que toda vacina licenciada para uso passou antes por rigorosas fases de avaliação de segurança e eficácia até ser disponibilizada para aplicação, além de ter sido avaliada e aprovada por institutos reguladores rígidos e independentes. No Brasil, essa função cabe à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão do Ministério da Saúde.

Ao esquecer de tomar alguma dose de vacina durante muito tempo, é preciso recomeçar o esquema da vacinação?
Não é necessário. O lema da vacinação é “dose dada é dose contada”. Se foi feita uma dose há muito tempo, você deve continuar o esquema respeitando o intervalo entre as próximas doses. Após a tomada de todas as doses, o ideal seria verificar os níveis de anticorpos produzidos, para confirmação da imunização.

O que são vacinas combinadas?
São vacinas que geram resposta de proteção contra várias doenças. Estas vacinas têm vários antígenos, os quais estimularão o organismo contra diversas doenças ao mesmo tempo, como exemplo a tríplice viral.

Por que existem vacinas que precisam ser tomadas durante toda a vida e outras não?
Isto acontece porque o nosso sistema imune vai gerar uma resposta imunológica contra aquele antígeno (vírus ou bactéria) e essa resposta, com o passar do tempo, vai ficando mais fraca. As células de memória ficam ineficazes contra uma possível nova contaminação, por isso a necessidade de reforço, para gerar novas células de memória (de proteção). Além disso, existem algumas bactérias ou vírus que se modificam ao longo dos anos e o processo de imunização acompanha essa evolução.