Programa de cuidados perinatais Mãe Canguru realiza conferência de 30 anos na Universidade

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No dia 23 de junho, foi realizada no campus Vila Olímpia da Universidade Anhembi Morumbi uma conferência em comemoração aos 30 anos de Mãe Canguru, metodologia de cuidados humanizados com bebês perinatais, para divulgar as vantagens do método e sua adoção como política pública pelo governo brasileiro.

Na ocasião, o evento contou com a presença do dr. Hector Martinez, pediatra colombiano, ganhador do Prêmio Sasakawa da OMS (Organização Mundial de Saúde) e criador da tecnologia Mãe Canguru.

 Dr. Hector Martinez falou sobre a criação e implantação da metodologia desenvolvida na Colômbia
Dr. Hector Martinez falou sobre a criação e implantação da metodologia desenvolvida na Colômbia

Na palestra “O método Mãe Canguru – uma experiência mundial. Origem e fundamentos fisiológicos e filosóficos”, o dr. Hector relatou que essa metodologia nasceu a partir da observação da evolução dos bebês prematuros ao entrarem em contato com as mães no hospital. “Na época, era possível encontrar mais de um bebê por incubadora e as mães tinham acesso restrito aos filhos. Observei que quando a mãe amamentava a criança e a mantinha próxima a seu corpo, visivelmente o bebê melhora e evoluía no processo de ganha de peso, estabilizando assim a sua saúde”.

 O Auditório Theatro Casa do Ator ficou repleto de profissionais da área de Saúde do Brasil inteiro
O Auditório Theatro Casa do Ator ficou repleto de profissionais da área de Saúde do Brasil inteiro

Para ele, embora esse seja um processo natural, da mãe se manter junto ao filho, não era assim sempre que se dava a relação entre ambos. “Tenho grande satisfação em observar a metodologia ser reconhecida como um importante mecanismo para recuperação de bebês prematuros e ser adotada como uma política pública de saúde. Atualmente, a metodologia já é utilizada em mais de 80 países, e as nações mais pobres são as mais beneficiadas com esse tratamento de fácil aplicação e baixo custo”, afirmou.

 Dra. Elsa Giugliani falou sobre as ações governamentais na área de Saúde e a utilização da metodologia como política pública
Dra. Elsa Giugliani falou sobre as ações governamentais na área de Saúde e a utilização da metodologia como política pública

Durante o evento, participaram ainda a fonoaudióloga dra. Maria Teresa Cera Sanches; dra. Geisy Maria de Souza Lima, médica do Instituto Materno Infantil de Pernambuco (IMIP), primeira instituição a aplicar a metodologia no País; e dra. Elsa Giugliani, representante do Ministério da Saúde, entre outros profissionais da área.

Mãe Canguru
Há 30 anos, a situação dos bebês nascidos prematuramente e com baixo peso na Colômbia preocupava os médicos. O número de incubadoras era baixo em relação ao número dos bebês que nasciam e a verba para investir em novos equipamentos e tecnologias de ponta também. Diante desse quadro, os médicos dr. Hector Martinez e dr. Edgar Sanabria desenvolveram uma metodologia simples e de baixo custo para a humanização dos cuidados com os recém-nascidos e/ou de baixo peso.

Batizado de Mãe Canguru, o método consiste em manter o bebê amarrado por uma bolsa de tecido na posição vertical entre os seios da mãe, dia e noite, semelhante Às bolsas que os marsupiais têm para terminar a gestão de seus bebês.

Com isso, além do contato e troca de calor entre mãe e filho, o bebê se sente melhor e estimulado a manter os sinais vitais de vida, como a própria respiração. Fundamental nessa metodologia é a alimentação exclusivamente feita com o aleitamento materno, o mais rico e eficaz alimento para o crescimento e saúde dos bebês.

Em 1999, a metodologia foi adotada no Brasil como uma política nacional de saúde pública pelo então Ministro da Saúde, José Serra. “O método Mãe Canguru tem o mérito de aliar um atendimento mais humanizado e de melhor qualidade a custos mais baixos, permitindo que se atenda a um maior número de bebês prematuros. É um excelente instrumento para a boa política de saúde do país”, falou Serra em pronunciamento sobre a adoção efetiva da metodologia como política pública, em 8 de dezembro do mesmo ano.