Professor do Mestrado em Comunicação visita Projac

14h07

No dia 27 de março, a convite do Globo Universidade, o prof. Renato Pucci, do Mestrado em Comunicação, esteve no centro de produção da Rede Globo (Projac), no Rio de Janeiro, para um bate-papo com o diretor e roteirista Luiz Fernando Carvalho.

O Globo Universidade sabe que há vários anos o docente pesquisa as minisséries do Luiz Fernando, com artigos publicados sobre Hoje é Dia de Maria e Capitu, por exemplo. O tema da conversa foi a telenovela Meu Pedacinho de Chão, de sua direção, que estreará em 7 de abril.

Junto com o professor estavam mais quatro pesquisadores de outras universidades do Brasil, todos ansiosos por fazer perguntas e ouvir explicações do realizador. Enquanto aguardavam o término das gravações, os pesquisadores puderam visitar a cidade cenográfica que foi criada para compor o cenário da telenovela.

O prof. Renato Pucci conta que viu “um espaço próprio para uma história voltada para o maravilhoso: um ambiente de cidade do interior, porém repleto de elementos de fantasia, como as casas cobertas de latas recortadas e de cores diferentes ou os bonecos de animais espalhados pelo terreno, árvores com o tronco de cores vistosas, como vermelho, longe do que existe na natureza”.

Cidade Cenográfica de Meu Pedacinho de Chão

O artista plástico Raimundo Rodriguez, responsável pela concepção visual da trama, os levou às oficinas em que são preparados todos os elementos que compõem o que aparecerá nas telas: centenas de figurinos, incontáveis objetos de cena, carroças, a Maria Fumaça. Falou do processo de criação, das pesquisas que faz para criar cada objeto. O galinho, que surgirá de tempos em tempos na história, é um boneco móvel de 30 cm de altura, que se moverá com stop motion (sistema de animação quadro a quadro), segundo me explicou o encarregado desse recurso.

Todas as oficinas ficam a poucos metros da cidade cenográfica, solução encontrada para realizar a telenovela ao ritmo de um capítulo por dia, como passará a acontecer duas ou três semanas após o início da exibição. Com a proximidade espacial e sem a burocracia de processos de produção, espera-se que tudo se acelere à frente.

O professor foi apresentado a Benedito Ruy Barbosa, que, com seus 83 anos de idade e cinco décadas a criar telenovelas, o atendeu com simpatia. “Fiz minha primeira pergunta: não estava estranhando a diferença entre o visual mágico criado por Luiz Fernando Carvalho e o realismo da primeira versão de Meu Pedacinho de Chão, também escrita por ele e exibida em 1971-1972? Tranquilo, respondeu: “Não há problema nenhum. Tudo foi combinado previamente com o Carvalho”.

Em seguida, ele se pôs a contar histórias de seu passado, da infância no interior de São Paulo, quando se apaixonou pela leitura, até os dias de hoje, passando pelos dramas que viveu ao criar as tramas de Renascer, Pantanal e outras de suas 34 telenovelas. Falou, por exemplo, como nos anos 70 fazia pesquisa de recepção, anônimo, de caderneta em punho, entrevistando mulheres nas ruas a fim de saber o que achavam da sua telenovela. Contou também sobre como a televisão tem mudado, deixando-o insatisfeito com o teor apelativo do que se assiste e de como pretende uma história mais adequada ao público familiar na sua mais nova realização.

“Enfim, a pesquisa científica de televisão não vive só de leituras e de produtos acabados. É preciso também conhecer, pelo menos, os processos de realização e, quando possível, os autores de cada realização que vai ao ar”, finaliza o docente.