Jogo desenvolvido por professora concorre em festival internacional

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Adriana Kei e a equipe do estúdio Cats in the Sky criaram o game Cargo Delivery, finalista do festival IndieCade

A professora do curso de design de games, Adriana Kei, é umas das responsáveis pela criação e produção do primeiro jogo brasileiro a ser selecionado para a final do IndieCade, um dos mais importantes festivais internacionais da área. A docente concorre com o game Cargo Delivery, criado pela equipe do estúdio Cats in the Sky, fundado no início deste ano e formado por cinco profissionais, todos alunos e professores da Anhembi Morumbi.

No jogo Cargo Delivery, Rufus, o capitão de um cargueiro, sonha em reformar um grande barco luxuoso de passeio que acabou de adquirir, mas para isso ele enfrentará diversos desafios, desde a organização das cargas até tempestades, peixes e baleias. O jogador deve empilhar, amarrar e transportar cargas de diferentes tamanhos, formatos e propriedades físicas de um porto para outro. O jogo requer estratégia e lógica no carregamento das cargas e em seu transporte.

O festival IndieCade teve mais de 350 jogos inscritos de todo o mundo, dos quais apenas 32 foram selecionados. A premiação dos vendedores acontece entre os dias 8 e 10 de outubro, na Califórnia (EUA).

A professora Adriana Kei conta um pouco mais sobre o processo de produção e criação do game na entrevista abaixo. Confira!

Quando e como surgiu a ideia de criar o Cargo Delivery? Foi trabalhoso transformá-lo em realidade?
AK –
Tivemos a idéia do Cargo Delivery em fevereiro deste ano. Na verdade, a idéia era fazer um jogo de empilhar brinquedos com diversas formas, tamanhos etc. Em nossa primeira reunião para debater este jogo dos brinquedos, conforme um pequeno brainstorm, a idéia de empilhamento permaneceu mas mudamos para cargas de transporte diferentes.
 
Escolhemos o empilhamento e transporte de cargas porque chegamos à conclusão que a temática de brinquedos restringiria o jogo ao empilhamento e tivemos a impressão de que fazer o jogador ficar somente empilhando, empilhando, tornaria a ação muito repetitiva e o jogo ficaria chato em pouco tempo.
 
Cargo Delivery foi bem trabalhoso em quase todo o processo. O fato de termos escolhido o ambiente marítimo, já implicou em algumas pesquisas a acerca deste universo. Pesquisamos sobre as propriedades de navegação de um barco, sobre fenômenos da natureza que podem ocorrer no mar, condições climáticas e portos de cargas. Outro fator complicador é que queríamos desenvolver o jogo com bastante física aplicada a quase tudo que fosse interativo: a água, o barco, os obstáculos como baleia, peixes, tubarão e cargueiro pirata, as amarras das cargas e, especialmente as cargas. Foram 8 tipos de cargas com características e comportamentos distintos. Realizamos vários testes e protótipos para estudos ao longo de todo o processo de desenvolvimento e produção do jogo. O projeto todo foi realizado em 5 meses por uma equipe com 5 pessoas.
 
Como foi o processo de criação? Todos do estúdio participaram?
AK –
A idéia central do jogo partiu de uma reunião informal entre os três sócios. No entanto, depois do conceito e as características principais da mecânica do jogo estarem determinadas, todos da equipe deram suas opiniões e contribuições. Costumamos distribuir as atividades conformes as áreas de atuação de cada um no estúdio, mas uma idéia não fica engessada somente com o game designer. Todos podem opinar e contribuir para aprimorar um conceito ou solucionar algum problema que seja detectado no projeto.
 
Quando decidiram inscrevê-lo festival?
 AK – A decisão de inscrever este jogo no festival já havia sido tomada desde o 1º mês de produção do jogo. Nossa proposta para este ano, desde que abrirmos o estúdio é montar um portfólio abrangendo os tipos de jogos que podemos fazer. Assim, já havíamos levantado os principais festivais internacionais na área de jogos independentes e fizemos um cronograma para nossos projetos de 2010 e 2011 visando atender as datas de festivais.
 
Como o sucesso do game pode ser utilizado nas aulas do curso, para ensinar e incentivas os alunos da Anhembi Morumbi?
AK –
Em algumas disciplinas que leciono já uso como exemplos, jogos que desenvolvemos no estúdio. O estúdio e nosso sistema de trabalho tem sido útil para mostrar aos alunos a viabilidade de projetos de jogos de acordo com a realidade brasileira em relação à custos, tamanho de equipe e perfis profissionais, tempo e tecnologia disponível e acessível.
 
O fato de nosso jogo ter sido finalista neste festival despertou interesse de alguns alunos para esta área de produção independente. Creio que esta curiosidade dos alunos se amplie mais a partir desta participação no IndieCade. Para eles, um jogo brasileiro ser reconhecido internacionalmente é um exemplo concreto de que é possível trilhar um caminho pela área em que pretendem atuar e que é possível ter reconhecimento profissional também. Outra coisa que para os alunos é inspirador é o fato da equipe inteira de nosso estúdio ser composta, exclusivamente (pelo menos até agora) por pessoas dos cursos de Design de Games e Design de Animação da Anhembi Morumbi. Meus dois sócios foram alunos meus. Os outros dois membros fixos na equipe também foram alunos. Agora, para o próximo projeto, teremos um professor na equipe conosco.
 
Como as pessoas podem conhecer o trabalho de vocês?
AK –
Temos nosso site: www.catsinthesky.com,
 
Mantemos uma página no Facebook: Cats in the Sky http://www.facebook.com/home.php?#!/pages/Cats-in-the-Sky/170422968310;
 
Twitter: @Cats_in_the_Sky
 
E é claro, podem entrar em contato conosco pelo e-mail: catsinthesky@catsinthesky.com