III Simpósio Internacional de Medicina contou com a participação do Dr. Vinay M. Nadkarni, da American Heart Association

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A Escola de Medicina da Universidade Anhembi Morumbi promoveu, no dia 25 de agosto de 2009, o III Simpósio Internacional de Medicina, sob o tema Simulação no Ensino da Saúde e na Implementação de Diretrizes.

O evento reuniu profissionais de renome na área Médica, como o prof. Dr. Sergio Timerman, diretor das Escolas de Ciências da Saúde da Universidade, o Dr. Miguel Antonio Moretti, representante da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), e o convidado especial Vinay M. Nadkarni, diretor do Center for Simulation, Advanced Education and Innovation (Washington DC, EUA) e membro da American Heart Association (AHA).

Para abrir as atividades do dia, o Dr. Timerman traçou um breve panorama sobre o atual quadro de emergências cardiopulmonares no Brasil e no mundo, revelando um surpreendente número de mortes súbitas nos Estados Unidos – 350 mil/ano – e no Brasil.

 Dr. Sergio Timerman dá boas-vindas ao público
Dr. Sergio Timerman dá boas-vindas ao público

 

Segundo o médico, quanto mais rápido for o atendimento às vitimas, maior será o impacto da RCP (Ressuscitação Cardiopulmonar). Por isso, “apresentar este cenário é fundamental para entender o que podemos esperar das próximas diretrizes em RCP, que serão publicadas até o início de 2011 nos Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Europa”, disse.

As Diretrizes são um manual médico-científico sobre as manobras e técnicas mais apropriadas para a ressuscitação e permitem melhorar as chances de sobrevivência das vítimas de parada súbita do coração. Estas informações, que advêm de um consenso de cooperação internacional de membros do ILCOR (International Liaison Committee On Resuscitation – Aliança Internacional dos Comitês de Ressuscitação), estão cada vez mais simplificadas para os leigos e vêm, ainda, para facilitar o cotidiano médico-hospitalar.

Durante sua apresentação, o Dr. Vinay contou que o conselho responsável pelo estudo e publicação destas diretrizes estudará as questões referentes à ressuscitação. “Precisamos de relatos de casos, estudos retrospectivos e pilotos para este assunto. Nosso desafio é ensinar as pessoas leigas a fazerem o atendimento à vitima antes que o serviço médico chegue ao local, levando em consideração que 70% dos ataques acontecem dentro de casa”, ressaltou.

 Da esq. para dir.: Dr. Sergio Timerman, Dra. Maria Margarita C. Gonzales, Dr. Miguel Antonio Moretti, Dr. João Fernando M. Ferreira e Dr. Vinay M. Nadkarni
Da esq. para dir.: Dr. Sergio Timerman, Dra. Maria Margarita C. Gonzales, Dr. Miguel Antonio Moretti, Dr. João Fernando M. Ferreira e Dr. Vinay M. Nadkarni

 

Ele completou dizendo que “possuir a tecnologia não resolve o problema, mas sim a sua correta utilização. Por isso, é preciso treinamento e implementação de equipes preparadas para reconhecer se a vítima precisa de choque ou de RCP. Este será o foco do congresso de 2010, que definirá as novas Diretrizes. E, tenho certeza de que, se fizermos um bom trabalho, conseguiremos fazer com que os hospitais e profissionais da Saúde contribuam na melhora da sobrevida dos pacientes”, completou.

A mesma opinião tem o Dr. Miguel Antonio Moretti, que acredita que as Diretrizes não devem estar apenas no papel, em forma de um manual, mas no cotidiano da área da Saúde. “Não existe verdade absoluta na Medicina. Estamos constantemente aprendendo e é por isso que as Diretrizes existem. E, como elas são apoiadas em estudos científicos, temos de estar abertos às mudanças propostas”, observou.

A simulação e o aprendizado

Em sua segunda palestra, o Dr. Vinay falou sobre o uso da simulação no suporte à vida, apresentando o modelo de treinamento adotado na Escola de Medicina do Hospital Infantil da Filadélfia.

O médico destacou, ainda, a importância da reciclagem e da educação médica continuada. “Nós saímos de um curso com 80% de aproveitamento. Destes, aplicamos no paciente 50% do que aprendemos e apenas 20% daquilo que é correto. Por isso, é fundamental o treinamento contínuo. Só não sabemos ainda o intervalo de tempo ideal para realizarmos essa reciclagem. Contudo, entendemos que a simulação veio para maximizar o treinamento, minimizar os riscos para o paciente, contribuir com a comunicação e controlar os custos”.

 Para o Dr. Vinay, a simulação é ferramenta importante para o aprendizado e treinamento na área da Saúde
Para o Dr. Vinay, a simulação é ferramenta importante para o aprendizado e treinamento na área da Saúde

 

A profa. Simone Sato, diretora-adjunta da Escola de Saúde e Bem-Estar, ressaltou que a simulação faz parte do dia a dia dos alunos da Anhembi Morumbi. “Os 15 cursos abrigados pelas Escolas de Ciências da Saúde utilizam essa ferramenta. Para se ter uma ideia, são cerca de 290 planos de ensino que contemplam a simulação, dentro de 90 disciplinas. Esse é um modelo de ensino inédito e proporciona foco na interdisciplinaridade”.

Para o Dr. Vinay, o desafio da simulação é muito grande, pois, “embora seja simples demonstrar que os alunos têm mais interesse em estudar em manequins do que em livros, é difícil provar que o seu bom desempenho na simulação resultará em um bom trabalho no paciente”, destacou. Contudo, ele se mostra otimista com esta ferramenta, desde que aliada ao treinamento contínuo.