Curta-metragem do prof. Fábio Yamaji é premiado no Anima Mundi

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Se você já conheceu uma pessoa com trejeitos e sotaque bastante peculiares e cogitou a hipótese de fazer um filme com ela, certamente entenderá a inspiração que levou o professor da Pós-graduação de Cinema, Vídeo e Fotografia: Criação em Multimeios, Fábio Yamaji, a rodar o curta-metragem O Divino, De Repente.

O filme de sete minutos, que conta a história do Divino – uma figura carismática e prestativa, amigo do diretor desde quando trabalharam juntos em uma mesma empresa –, foi premiado, em julho, pelo júri popular de São Paulo e Rio de Janeiro no Festival Anima Mundi, levando o prêmio de 1º e 2º lugar, consecutivamente.

 Divino é um amigo de longa data do diretor do filme, que o inspirou por sua simpatia e jeito peculiar de falar
Divino é um amigo de longa data do diretor do filme, que o inspirou por sua simpatia e jeito peculiar de falar

Para o diretor, esse foi o melhor prêmio que poderia receber. “O fato de ser selecionado para a competição já é motivo para comemorar, pois a participação está mais difícil ano a ano. Ganhar um prêmio no Anima Mundi, ainda mais pelo voto do público, foi a melhor resposta que eu poderia ter sobre o filme”.

Fábio conheceu o Divino na produtora Trattoria di Frame, na qual se tornou animador. “O Divino era ajudante geral e fazia a limpeza, jardinagem, consertos e pinturas. Sempre que eu precisava, ele ajudava na produção dos meus trabalhos autorais. Ele é muito comunicativo, mas às vezes incompreendido por falar rápido demais e usar termos típicos da Paraíba”.

 O personagem conta a história de sua vida e fatos engraçados em forma de versos de repente
O personagem conta a história de sua vida e fatos engraçados em forma de versos de repente

Esse fato fez com que Fábio se inspirasse no companheiro de trabalho para desenvolver o roteiro de um curta-metragem. “Nós brincávamos que somente com legendas seria possível entendê-lo e, mesmo assim, não poderiam ser legendas escritas, pois o texto passaria muito rápido. Então, precisariam ser legendas em desenho animado. Assim, surgiu a ideia para o filme, aproveitando a sua habilidade nos repentes”.

Na exibição do Festival em São Paulo, Fábio levou o Divino para assistir à estreia, uma experiência que foi muito emocionante para ambos. “Ele ficou impressionado com tudo: a imagem projetada na tela grande, o público que assistiu ao filme junto com ele pela primeira vez, a grandeza do festival e o seu nome escrito no catálogo. Após tudo isso, ele começou a ter ideias para novos filmes”.

Técnicas do filme
Para o desenvolvimento do filme, Fábio optou por mesclar técnicas artesanais de animação, pois, além de serem sua especialidade, aproximam-se do universo do Divino. “O filme é composto basicamente de vídeos flipbooks (blocos com desenhos em sequência). Os flipbooks aparecem em forma de cadernos, animados quadro a quadro, mostrando a rotoscopia (desenhos feitos em cima dos quadros do filme) de um lado e o desenho animado do outro. Como o Divino é onipresente no curta, preferi colocá-lo desenhado nas cenas de animação. Foram feitos 12 desenhos por segundo de animação, totalizando mais de 1.500 desenhos”.

 Uma das técnicas utilizadas no filme foi a rotoscopia, que são os desenhos feitos em cima de cada quadro
Uma das técnicas utilizadas no filme foi a rotoscopia, que são os desenhos feitos em cima de cada quadro

Já a os desenhos animados, que servem como legenda para os repentes, foram baseados no traço do próprio Divino. “Pedi para ele desenhar a sua família e o resultado foram bonequinhos de palito bastante simples, que serviram de modelo para os desenhos animados. Outra técnica utilizada foi o pixilation, que é a animação quadro a quadro com o próprio corpo”.

 Os desenhos feitos pelo próprio Divino serviram de base para ilustrar os seus repentes
Os desenhos feitos pelo próprio Divino serviram de base para ilustrar os seus repentes

Todo o processo levou quatro meses para ser feito, desde o primeiro desenho até a finalização. “Fizemos uma filmagem externa, animação dos cadernos em estúdio, montagem, composição de trilha, finalização de som e imagem. Foram meses intensos, dedicados somente ao curta, envolvendo cerca de 60 pessoas”, contou o diretor.