Curso de Teatro promove Mostra de espetáculos gratuitos

10h19

A coordenação do curso de Teatro da Anhembi Morumbi promove a partir de  31 de maio III Mostra de Teatro com espetáculos produzidos e encenados pelos alunos.

Os estudantes se inspiraram em obras como O Espectador Condenado a Morte e O País Está Consternado, de  Matei Vişniec; Lisístrata, de Aristófanes, além de outras de autoria de escritores nacionais e internacionais, como Frank Wedeking e Plínio Marcos.  

As apresentações vão até 24 de junho, são realizadas no câmpus Mooca e abertas ao público. Os ingressos devem ser retirados no local uma hora antes de cada espetáculo.

A mostra é aberta ao público e representa uma grande oportunidade de acesso à cultura para mais ou menos 3.000 espectadores.

Confira a programação, a síntese dos espetáculos e bom teatro!

Espetáculo: O Despertar da Primavera
Dias:31/05, às 20h / 01/06, às 11h e 20h
Direção: Simoni Boer

O autor Frank Wedekind cunhou na história da dramaturgia uma grande obra; um panorama atemporal das relações de intolerância. É a juventude do final do século XIX, mas que poderia ser a de hoje, aflita em sua liberdade ou inação, a protagonista de O Despertar da Primavera, história que a Jambu Cia. de Teatro, orgulhosamente, vai contar.

Alemanha, final do século XIX. Os avanços de um mundo que anuncia vanguardas, as transformações de um tempo que pressupõe guerras. Pais e filhos, amigos e estranhos, descobertas absurdas, irrevogáveis e singelas. Assim os adolescentes, como navegantes de um redemoinho de vida, vivem um impasse entre seguir seus instintos ou aquilo que a sociedade opressora, regida pela igreja e a intolerância, impõe.

Por vezes elevam-se e alcançam nuvens. Por vezes caem, ferem-se, perdem-se, instáveis em apoios de ar.Dialogam com eles, ou estão em cena para não dialogar, os adultos, e o mundo que carregam, pesados como invernos superados.

Espetáculo: Quando as Máquinas Param
Dia:03/06, às 17h e 20h
Direção: Osvaldo Hortêncio

Quando as máquinas param” é uma peça de Plínio Marcos, é composta quase que totalmente de diálogos, simples e fortes, sobre a realidade dura do casal e de seus vizinhos.

A peça traduz as angústias de um casamento perfeito fragilizado pelo desemprego do marido. Em meio a ondas de demissões e a dificuldade de se conseguir emprego devido à baixa qualificação, sua única distração do homem é jogar bola com os meninos nas ruas.

As relações de gênero, onde a mulher se torna provedora da casa e recebe ajuda de sua mãe, iniciam uma crise entre os dois que se agrava com uma gravidez inesperada, onde o marido teme não poder sustentar seu grande sonho de ter um filho.

 

Espetáculo: O Espectador Condenado a Morte
Dias:08/06, às 20h / 09/06, às 11h e 20h / 10/06, às 17h e 20h
Direção: Marcelo Braga
Elenco: Formandos do 7º semestre A matutino

Apesar de ter sido escrita em 1985, a peça O Espectador Condenado à Morte, de Matéi Visniec, propõem uma reflexão mais do que pertinente para o nosso tempo. A obra tem início com a condenação de um espectador, feita por dois promotores, um juiz, uma advogada de defesa e um escrivão. Essa sessão solene beira o absurdo, pois todos tentam convencer o réu de que ele é culpado de um crime que ninguém sabe ao certo qual é. Qualquer semelhança com fatos reais acontecidos no Brasil é SIM uma mera coincidência, pois o autor escreveu o texto inspirado na situação política da Romênia, que estava sob o regime ditatorial de Nicolae Ceausescu.

O espetáculo todo se passa durante uma sessão de julgamento – cômica e absurda – aonde todas as provas são forjadas, despropositadas e inconsistentes e os depoimentos das testemunhas são incoerentes e disparatados. A atuação do juiz, dos promotores, do escrivão e, acima de tudo, da advogada de defesa são um verdadeiro show de insanidade. E tudo isso para quê? Para demonstrar como um julgamento, que subverte qualquer protocolo desconsiderando aspectos morais, éticos e institucionais, tem a capacidade de incriminar um inocente. Se olharmos para a outra face dessa mesma moeda, o texto também nos propõe que pensemos na possibilidade oposta: como a justiça pode, dependendo dos interesses em jogo, inocentar um culpado.

Esse espetáculo traz à tona uma importante discussão sobre fraudar instituições públicas em benefício próprio, intolerância e casos em que se faz justiça com as próprias mãos. Por fim, também nos coloca, frente a frente, com a questão de como a nossa omissão pode ser também responsável pela perpetuação de regimes políticos que violam direitos fundamentais dos cidadãos e os mais básicos princípios democráticos. Será que estamos todos em risco de seremos todos condenados???

 

Espetáculo: O País Está Consternado
Dias:14/06, às 17h e 20 / 16/06, às 17h e 20h / 17/06, à 17h e 20h
Direção: Marcelo Braga
Elenco: Formandos do 7º semestre noturno

Este espetáculo tem como base as peças curtas oriundas de dois textos do romeno Matéi Visniéc, cuja obra teatral possui caráter extremamente poético, mas sem perder a sua capacidade de retratar o lado mais absurdo da nossa realidade. Ele retrata questões absolutamente universais – angústias e questionamentos que não conhecem limites geográficos. Seus personagens são capazes de revelar e colocar a mostra, de forma nua e crua, as profundezas da alma humana e das contradições da sociedade.

Em entrevista concedida ao site GLOBO.COM, o autor comenta sobre as possibilidades reflexivas que vislumbra em sua obra: “Acredito na força da palavra, no fato de que a literatura e o teatro são transformadores e oferecem respostas para nossas questões essenciais, além de nos ajudar a nos conhecermos e a agirmos melhor.”

Os critérios de seleção das peças que compõem O PAÍS ESTÁ CONSTERNADO colocam em primeiro plano a fragilidade das relações no mundo globalizado, que acabam sendo consideradas como mercadorias ordinárias, como produtos de supermercados que podem ser prontamente usados e, assim que perdem utilidade, são descartados. O “aspecto humano” das relações, sejam elas de cunho social, político e econômico, está relegado a um plano secundário, transformando a todos nós em senhas, números de acesso e códigos de barra.

Assim como Visniéc, nos também acreditamos que a cultura – e o Teatro, em especial – pode salvar o homem, a humanidade e o humano em nós.

Espetáculo: Lisístrata
Dias:22/06, às 20h / 23/06, às 11h e 20h / 24/06, às 17h e 20h
Direção: Simoni Boer

As mulheres atenienses, cansadas das aflições da guerra e sem poder político ou de decisão, fazem o que está ao seu alcance para pôr fim aos conflitos que estraçalham a Grécia do século V a .C.: decidem recusar-se aos seus maridos, em uma greve de sexo, enquanto estes não assinarem um tratado de paz. De quebra, elas se apoderam do tesouro da cidade, para minar novas incursões militares. Aristófanes, um dos maiores dramaturgos do mundo antigo, põe em cena Lisístrata, a comandante da revolta feminina e a primeira heroína de uma comédia. Nesta obra pacifista, que mantém sua força cômica, sua atualidade e sua pertinência, as mulheres e as mães posicionam-se contra a guerra e a mortandade – ainda que tal opinião nunca lhes tenha sido perdida.